autosabotagem,

Não sei precisar quando foi que as linhas pautadas passaram a ser um refúgio, mas lembro-me exatamente dos sentimentos que me levavam a recorrer a um caderno A5 amarelado para externar tudo aquilo que me consumia por dentro. Tampouco sei o que é pra ser levado a sério, porque vezenquando a tempestade do nosso copo d'água diário é maior e mais doída que costuma ser. O que sei, é que de repente, tenho treze anos outra vez e estou sentada com a cabeça entre as pernas num chão frio enquanto o mundo gira muito rápido ao meu redor e as lágrimas escorrem rosto afora, sem ao menos pedir permissão. O que sei, é que outra vez sou pequena demais para as dores melancólicas que me atingem e o que me resta é escrever estas linhas tornas, com a esperança de que isto suavize o que tanto grita cá dentro.  Outra vez, aquela auto estima que caiu no chão e aquele choro reprimido no banheiro. 
Não sei precisar quando foi que tudo veio à tona, mas sei que tudo deve ser culpa do amontoado de emoções que me atingiram feito um furacão no último mês. Auto controle, definitivamente não trabalhamos. O que sei é que a previsão é que tudo passe daqui uma semana, que tudo volte a ser flores, que tudo volte a ser leve e que eu volte a acreditar que sou capaz. Que eu pare com essa auto sabotagem e pare, apenas pare.
Não sei porque esperei tanto tempo pra escrever e tentar fechar a ferida. O que sei, é que foi preciso eu voltar. E tomara, que eu nunca mais vá embora. 

De uma tpm infinita e um semestre doído.
Eu não mudei nada. 

o meu e o seu,


O meu amor, amor, é dramático.
O seu amor, meu amor, é mansinho.

O meu amor, amor, é de supetão.
O seu amor, meu amor, é ternozinho.

O meu amor, amor, é preguiçoso.
O seu amor, meu amor, é atleta.

O meu amor, amor, é faminto.
O seu amor, meu amor, é alimento.

O meu amor, amor, é o sol.
O seu amor, meu amor, é a nuvem-proteção.

O meu amor, amor, é um.
O seu amor, meu amor, é um milhão.

O meu amor, amor, é carente.
O seu amor, amor, é paciente.

O meu amor,
O seu amor,
inteiro,
nosso,
rotineiro,
um mundo inteiro,
pra nós,
dois.


pro amor da vida inteira,
 

miúda

Voltou. Voltou e não gostei nada disso pequena. Talvez tenha demorado um pouco mas pra mim, nunca terá sido suficiente. Uma vez ouvi dizer que lágrima nenhuma merecia se escorrer em rostos bonitos assim e no teu então menina, é quase crime contra humanidade isso acontecer.

Voltou e eu também  não gostei e por isso te ver falar em rosto bonito se referindo ao meu, me atinge feio bala, porque o que vejo num reflexo de espelho qualquer, me deixa ainda mais triste. Ando distante do que queria enxergar. Talvez sejam as olheiras de volta com a rotina atropelada.

Voltou e não quero que fique, porque te ver assim, versão miúda de você mesma, me dói profundo no peito. Quero te pegar no colo e te arrancar sorrisos bobos, porque o peso de seus olhos tristes, me deixa impotente também. 

Voltou mesmo e eu só sinto muito medo, não sabe? De não suprir as expectativas ao redor e principalmente as minhas. De não ser tudo aquilo que um dia achei que fosse capaz de ser. Medo de desabar mais uma vez. 

Se aquiete menina, que as coisas hão de se ajeitar. Essa insegurança até que é normal e eu sei que você é melhor que esse poço pequeno de esperança que acha que é. 

Me aquieto. Mas queria um abraço apertado pra chorar um choro molhado, esse de limpeza da alma, entende? Olho ao redor e não vejo onde... as dores que a gente vive guardando no bolso uma hora vaza, não cabe mais. 

Ei, deita aqui, te faço um cafuné. Te faço uma oração também, pra que tudo isso vá embora pra longe de ti. Sempre tem gente com o bolso mais cheio que o seu, então, se aquiete aqui. Deve de ser a tal tensão pré qualquer coisa que seja. 

É, deve ser. Vai passar. De novo. "Sou pequenino e também gigante". ♪


Qualquer conversa entre duas almas
 que podem morar num mesmo corpo. 
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